Egito vai às urnas em primeiro dia de votação histórica


CAIRO - O primeiro dia da votação presidencial histórica no Egito levou os eleitores a formar filas nos postos de votação antes mesmo da abertura oficial, às 8h (horário local). Após 60 anos, o país tem sua primeira eleição democrática e os 52 milhões de eleitores escolherão o novo mandatário entre 12 candidatos.
- Vou votar hoje, não importa o que aconteça, é uma coisa histórica a se fazer, apesar de eu não saber em quem vou votar - revela Mahmoud Morsy, de 23 anos, que se disse inclinado a votar em Mohamed Mursi, candidato da Irmandade Muçulmana.

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Espera-se que haverá um alto índice de comparecimento às urnas durante os dois dias de votação, com uma ampla participação feminina. Além de desejar sair do controle militar que assumiu o Egito interinamente após a derrubada do presidente Hosni Mubarak durante a Primavera Árabe, os eleitores também querem um presidente que resolva os problemas econômicos do país. Quase metade dos egípcios vivem na linha de pobreza ou abaixo dela (eles vivem com US$ 2 por dia). O desemprego de jovens no país está na casa dos 25%.
Foram três semanas de campanha, que oficialmente foi encerrada no domingo e que mudou a paisagem das ruas egípcias com uma grande quantidade de cartazes. Esta eleição também será lembrada na história por ter sido a primeira com um debate televisionado entre os candidatos.
Apesar da campanha já ter sido encerrada, os candidatos dão um jeitinho para tentar conquistar os indecisos na última hora. Seis micro-ônibus estampados com "Sim para Amr Moussa" (ex-chanceler e ex-secretário geral da Liga Árabe, um dos principais candidatos) oferecem transporte para postos de votação. Já o ex-primeiro-ministro Ahmed Shafiq se tornou alvo de procuradores por ter quebrado o "silêncio eleitoral" ao realizar uma coletiva de imprensa.
Cinco juízes foram excluídos do trabalho de supervisão das eleições porque orientaram eleitores para escolher um certo candidato, dentro dos postos de votação, de acordo com o canal egípcio 1 TV. Um dos principais desafios eleitorais é garantir a transparência e a ausência de fraudes.
Não há um franco favorito nestas eleições. De acordo com as pesquisas, nenhum dos 12 candidatos deve conseguir mais que a metade dos votos, o que levaria à realização de um segundo turno entre os dois melhores em junho.
- Nunca votei para presidente antes, então a experiência é nova e me faz sentir como um cidadão deste país - afirma Ahmed Ali, estudante de Farmácia em Alexandria, a segunda maior cidade do Egito.
A votação histórica recebeu homenagens até do Google, que homenageou o marco em sua página no Egito, com um "doodle" especial para a eleição.

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