Para ajudar nas manobras fiscais do governo, a Caixa
Econômica Federal se tornou sócia de frigorífico, fabricante de
autopeças, de bens de capital, processador de minério, entre outras
empresas privadas. As operações foram feitas para sustentar parte da
operação montada pelo governo federal para arrumar dinheiro para cumprir
a meta fiscal, das contas públicas, de 2012.
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O aumento de capital da Caixa autorizado pelo governo no fim de 2012,
de R$ 5,4 bilhões, foi bancado em parte com ações que o BNDESPar -
braço de investimentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e
Social (BNDES) - detinha em algumas empresas e repassou para o Tesouro. O
restante foi financiado pela União com transferência de ações da
Petrobras.
A Caixa se recusou a informar o montante da capitalização que foi
bancado por ações de companhias privadas e quais foram as empresas
envolvidas. O uso das ações no processo de capitalização do banco só
veio a público porque JBS (frigorífico), Romi (bens de capital), Mangels
(autopeças) e Paranapanema (processamento de cobre), que têm ações
negociadas na bolsa, comunicaram ao mercado sobre a saída do BNDESPar e
entrada da Caixa na composição acionária.
Só nessas quatro empresas foram R$ 2 bilhões em participação
acionária para a Caixa, mas o valor pode ser maior. O BNDESPar informou
que repassou a União ações em 10 companhias diferentes. Além das quatro
já mencionadas, estão Petrobras (petróleo), Eletrobras (energia), Vale
(minério), Cesp (energia), Metalfrio (refrigeradores) e Vulcabrás
(calçados).
O valor das ações repassadas pelo BNDESPar a União chega a quase R$ 6
bilhões - suficiente, para bancar com sobra o aumento de capital feito
na Caixa. A Petrobras responde por mais da metade (R$ 3,15 bilhões),
seguida por JBS (R$ 1,79 bilhão) e Vale (R$ 446,9 milhões).
A Caixa informou apenas, por meio de nota, que "não realizou de forma
ativa nenhum investimento em participações acionárias". O movimento de
ações acima de um determinado limite força as companhias a divulgar a
operação como um todo para o mercado financeiro. Se a Caixa ficou com
ações de outras empresas abaixo desse limite, não é obrigada a informar.
As ações repassadas à União para ajudar nas manobras fiscais
correspondem a 8,7% das ações disponíveis para a venda que a BNDESPar
dispunha para a venda em setembro (último balanço divulgado). A
assessoria de imprensa do BNDES disse que a operação total gerou lucro,
mas não informou quanto. A venda das ações do JBS, por exemplo, deu
prejuízo de R$ 300 milhões, pois o BNDES comprou os papéis a R$ 7 em
maio de 2011 e entregou a R$ 6 para a União.
Meta
A elevação de capital da Caixa compensou o repasse de dividendos - R$
4,7 bilhões - que o banco fez para o Tesouro para garantir recursos
para a meta fiscal de 2012. No ano passado, a Caixa repassou R$ 7,7
bilhões em dividendos. Até setembro, o banco lucrou R$ 4,1 bilhões.
Com a queda na arrecadação, o governo teve sérias dificuldades para
economizar R$ 139,8 bilhões para o pagamento de juros da dívida. Por
isso, fez uma conjunto de operações para gerar uma "receita extra". Ao
todo, injetou R$ 19,4 bilhões no cofre. O maior montante - R$ 12,4
bilhões - veio do Fundo Soberano do Brasil. O BNDES antecipou R$ 2,3
bilhões em dividendos e a Caixa outros R$ 4,7 bilhões. As informações
são do jornal O Estado de S. Paulo.


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