Naufrágio de barco de imigrantes na Itália deixa quase cem mortos
Quase cem pessoas morreram nesta quinta-feira em frente
à ilha siciliana de Lampedusa no naufrágio de uma embarcação com 500
africanos a bordo, entre eles várias crianças, em uma das tragédias mais
graves de imigrantes na Itália.
Ao menos 93 pessoas morreram, declarou o vice-primeiro ministro e
ministro do Interior do país, Angelino Alfano, acrescentando que 151
pessoas foram resgatadas vivas.
A Guarda Costeira, por sua vez, informou que cerca de 200 pessoas ainda estão desaparecidas.
"É um horror, um horror. Não param de trazer corpos", declarou
chorando aos meios de comunicação italianos à prefeita Giusi Nicolini.
Segundo os relatos dos sobreviventes, a tragédia aconteceu depois que
os ocupantes da embarcação atearam fogo para chamar a atenção das
autoridades italianas. Eles estavam há várias horas em alto-mar.
Mas a embarcação sofreu um incêndio, o que gerou pânico e muitos
imigrantes se jogaram ao mar, o que desestabilizou o barco, que virou.
A maioria dos imigrantes procede de Eritreia e Somália. O barco zarpou da Líbia, segundo fontes locais.
"Venha contar os mortos comigo", escreveu a prefeita em um telegrama enviado ao primeiro-ministro, Enrico Letta.
As autoridades da ilha solicitam há meses ajuda à Itália e à União
Europeia para enfrentar o fenômeno, denunciado também pelo papa
Francisco durante uma visita à ilha em julho.
Já Alfano reagiu à tragédia convocando a União Europeia a ajudar a
Itália, afirmando que se trata de um drama europeu, e não apenas
italiano.
"Uma vergonha", afirma o Papa
"É uma vergonha. A palavra que me vem à mente é vergonha", declarou o Papa ao ser informado da tragédia.
O Papa argentino, filho de imigrantes italianos, visitou no dia 8 de
julho a pequena ilha de Lampedusa, em sua primeira viagem dentro da
Itália, durante a qual denunciou a indiferença do mundo frente ao drama
dos imigrantes que fogem de seus países em busca de uma vida melhor.
Muito sensível ao tema, Francisco condenou o sistema econômico atual, que marginaliza as camadas mais pobres da sociedade.
A operação de resgate, que conta com a participação da Guarda
Costeira italiana, da polícia de fronteira italiana e de barcos
pesqueiros e privados, prossegue mais de sete horas após a tragédia.
Segundo Pietro Bartolo, responsável pelo centro de saúde de
Lampedusa, entre as vítimas há várias crianças, um menino de três anos e
uma menina de dois.
O número de vítimas aumenta com o passar das horas, enquanto os
corpos que haviam sido colocados inicialmente no pequeno porto da ilha
estão sendo transferidos em ambulâncias a um hangar do aeroporto.
"Não sabemos onde colocá-los", reconheceu a prefeita.
Segundo meios de comunicação locais, um jovem tunisiano foi preso
depois de ser reconhecido pelos sobreviventes como um dos responsáveis
pelo tráfico de pessoas.
Segundo os relatos, o barco partiu há dois dias de Misurata, na
Líbia, e havia sido interceptado por vários barcos pesqueiros que não os
ajudaram.
Várias embarcações lotadas de imigrantes ilegais desembarcaram nesta
semana no sul da Itália, entre elas uma na noite de quarta-feira com 463
imigrantes, procedentes, ao que parece, da Síria.
Na segunda-feira, 13 imigrantes, em sua maioria da Eritreia, se
afogaram quando tentavam chegar à costa perto de Regusa (Sicília).
As vítimas partiram em uma embarcação que transportava 200 imigrantes
e refugiados e foram lançadas ao mar por traficantes de pessoas.
No início de agosto, outro drama similar ocorreu em uma praia do
leste da Sicília, quando seis egípcios se afogaram tentando chegar à
terra.
Em 2013, mais de 25.000 imigrantes desembarcaram na costa do sul do
país (Sicília e Calábria), ou seja, quase três vezes mais que em todo o
ano de 2012.


Comentários
Postar um comentário