Obama na parede: EUA em impasse no orçamento que paralisa governo federal
O governo dos Estados Unidos iniciou nos primeiros
minutos de terça-feira o processo de paralisação parcial de suas
atividades, depois que o Congresso fracassou em aprovar o orçamento para
o novo ano fiscal.
Primeira vez em 17 anos. A Casa Branca determinou no final da noite de segunda-feira o início
da paralisação das atividades em diversas agências federais, após o
fracasso do Congresso em aprovar o novo Orçamento federal.
"As agências devem executar agora os planos para uma paralisação
ordenada diante da ausência de recursos", destacou em um memorando
Sylvia Mathews Burwell, diretora do bureau de Orçamento da Casa Branca.
"Lamentavelmente, não temos uma indicação clara de que o Congresso
atuará a tempo para que o presidente (Barack Obama) assine uma resolução
orçamentária antes do fim de 1º de outubro de 2013", completa o
memorando.
"Pedimos ao Congresso que atue rapidamente para aprovar a lei (...)
que permita tempo suficiente para a votação de um orçamento para o ano
fiscal", destacou Burwell.
A ordem foi emitida minutos antes de o governo americano ficar sem
verba devido ao impasse no Orçamento envolvendo uma queda de braço entre
os democratas e a oposição republicana.
A decisão ocorre após o Senado, de maioria democrata, rejeitar nesta
segunda-feira à noite a nova versão do projeto de lei orçamentário
aprovada minutos antes pela Câmara de Representantes, de maioria
republicana.
Os senadores democratas rejeitaram o texto do Orçamento devido ao
artigo que adia a entrada em vigor da reforma de Saúde promovida pelo
presidente Barack Obama, a chamada Obamacare, prevista para esta
terça-feira.
Minutos antes, a Câmara de Representantes havia adotado um terceiro
projeto temporário de Orçamento, por 228 votos a 201, aprovando o
Orçamento mas retardando, por um ano, a aplicação do Obamacare.
Para o senador democrata Harry Reid, os legisladores do partido
Republicano "perderam a cabeça" e preferiram provocar a paralisação do
governo federal apenas para impedir a reforma do sistema de saúde.
"Albert Eistein dizia que a estupidez consiste em fazer a mesma
coisa, várias vezes, pensando em se obter um resultado diferente",
ironizou o senador Reid em referência aos deputados do partido
Republicano.
Em meio à queda de braço, o presidente Barack Obama se reuniu nesta
segunda-feira com os líderes do Congresso e fará o mesmo na terça-feira,
mas reiterou que não negociará sob ameaça de uma paralisação dos
serviços.
"Não estou resignado sobre nada" que leve os serviços públicos a fechar, disse Obama. Mas
todo o governo apenas para voltar a disputar o resultado de uma
eleição", aludindo à reforma da Saúde, que foi ponto central de sua
campanha à reeleição, no ano passado.
Com a decisão do Senado, as negociações voltam ao ponto de partida em
meio ao início do exercício fiscal de 2014 e após o fim do prazo legal
para que o país se dote de uma nova lei de orçamento.
Para a maioria dos americanos (46%), o agora efetivo fechamento
parcial de repartições públicas é de responsabilidade dos republicanos,
enquanto 36% culpam o governo, segundo pesquisa da CNN/ORC International
publicada nesta segunda-feira, com margem de erro de 3,5 pontos
percentuais.
Wall Street fechou em queda na segunda-feira - assim como as
principais bolsas mundiais -, afetada pela possibilidade de que os
congressistas não cheguem a um acordo a tempo.
A proposta republicana "é uma extorsão, não um compromisso", declarou
o senador democrata Charles Schumer nesta segunda-feira à rede MSNBC.
"Não somos nós que queremos parar", justificou a representante
republicana Marsha Blackburn à CNBC.
Sem novas verbas, algumas agências do governo federal iniciaram o
licenciamento, sem remuneração, de mais de 800.000 funcionários de
serviços considerados não essenciais, algo que Obama chamou de
"auto-mutilação" em sua mensagem de rádio semanal de sábado.
A Câmara de Representantes adotou um projeto de orçamento até 15 de
dezembro para negociar nesse prazo um orçamento para todo o ano fiscal
2014.
Contudo, sob pressão dos representantes ultraconservadores do Tea
Party, foram acrescentadas duas emendas ao texto: adiar por um ano a
aplicação da reforma da saúde impulsionada por Obama e a eliminação de
uma avaliação sobre os equipamentos médicos criado por essa norma.
Os senadores democratas entenderam como uma provocação e reformularam
o texto para garantir a aplicação da reforma da saúde, a mais
importante até agora na gestão Obama.
A lei conhecida como "Obamacare" torna obrigatórios os seguros de
saúde e destina fundos públicos para subsidiar as pessoas que não têm
capacidade de adquiri-los. Os republicanos entendem que a norma
disparará o já enorme déficit fiscal.
Teto da dívida
O Congresso deve votar, além disso, um aumento do limite legal do
endividamento do país, atualmente em 16,7 trilhões de dólares, sem o
qual os EUA se arriscam à primeira moratória de sua história a partir de
17 de outubro.
No momento, o Estado federal funcionou graças a "medidas
extraordinárias" adotadas pelo departamento do Tesouro, mas o titular
dessa pasta, Jacob Lew, advertiu que em meados de outubro os fundos
acabarão.


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